Por Fora
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Comandande do 1º RCG, coronel Braga, ao lado do cavalo Baio e, ao fundo, quadro do Marechal Deodoro da Fonseca — Foto: Marília Marques/G1

8 de fevereiro de 2019

Conheça a tradição do cavalo Baio, herança do Exército desde 1889

Passados 129 anos da Proclamação da República, o Exército Brasileiro mantém a tradição de destaque de um personagem pitoresco do movimento que derrubou a monarquia no país: o cavalo baio de número 06. O animal é do mesmo tom de pelagem e medidas daquele usado pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889.

Desde então, os critérios seguem o mesmos para o animal escolhido para ser montado pelo comandante do 1º Regimento de Cavalaria de Guarda – os Dragões da Independência, responsáveis pela segurança presidencial.

Em Brasília, é o tenente-coronel Flávio Benzi Braga quem monta e preza pelo bem-estar do cavalo apelidado de Baio, em referência à cor.

“Diariamente verifico se está tudo bem com o Baio, se passou bem a noite. Minha primeira atividade é dar ‘bom dia’ pra ele.”

Segundo o militar, Baio é um cavalo um pouco temperamental – até pelo status dele – mas muito tranquilo nas atividades. “A gente desenvolve um carinho muito grande por ele e cria-se uma cumplicidade.”

Regalias

Na sede do 1º RCG, Baio tem regalias. O “comandante de quatro patas” usa shampoos e outros produtos especiais para ressaltar o brilho da crina. Ele é penteado diariamente e, tem uma alimentação equilibrada, “mas de vez em quando o tratador dá um doce pra ele”, brinca o coronel.

O cavalo tem 14 anos e foi comprado pelo Exército em 2004. O valor da negociação não foi informado à reportagem. Baio é um animal de cerimoniais e só se apresenta em eventos marcantes, como o 7 de Setembro e a posse do presidente da República.

Dentro do regimento, ele fica no estábulo ao lado de outros 280 animais abrigados na cavalaria presidencial, mas tem uma espécie de “escritório” próprio, com direito à plaquinha de identificação e decoração na entrada (veja foto abaixo).

O cavalo de lida especial é alimentado duas vezes ao dia com ração e feno. Duas vezes por semana Baio é treinado pelo próprio comandante “para manter o condicionamento físico”. Nos demais dias faz treinos de meia hora, entre marcha, trote e circuito.

Entenda a tradição

Em 15 de novembro de 1889, o dia estava amanhecendo quando o Marechal Deodoro da Fonseca recebeu a notícia que as tropas do exército tinham se rebelado contra o governo e marchavam para o centro do Rio de Janeiro, então capital do país.

Doente, a história conta que o militar que, tempos depois se tornou o primeiro presidente do país, decidiu pegar uma charrete para ir até o Campo de Santana – onde, atualmente, está a Praça da República.

Ao chegar no local, mesmo sob protestos, o marechal pediu para montar um cavalo e, recebeu um animal de pelagem baia que tinha sido marcado com a matrícula de número 06. O cavalo foi cedido por um alferes (segundo-tenente) que, após a derrubada da monarquia, recebeu o primeiro Baio de volta.

Herói involuntário, o animal se tornou, assim, o primeiro beneficiário da república brasileira. Ele foi aposentado do serviço militar por relevantes serviços prestados ao país, e passou o resto dos dias vivendo confortavelmente em um estábulo no Rio de Janeiro.

Cavalos baios

Não se sabe ao certo quantos animais já passaram pelo regimento desde 1889. O certo é que, ainda hoje, a tradição é seguida à risca. A partir de cruzamentos de genes recessivos, criadores do Exército obtém animais machos, de pelo amarelado (baio) e crina branca ou preta.

Na capital do país, o animal “comanda” a cavalaria dos Dragões da Independência, que faz a segurança dos palácios do Planalto, Alvorada e Jaburu. Em cerimônias para autoridades, ele recebe adereços de gala e desfila pelas ruas de Brasília.

Aos 14 anos, pesando cerca de 450 quilos, Baio tem uma estimativa de vida em torno de 25 a 30 anos de idade. Enquanto estiver saudável, ele permanece prestando serviços militares e, ao se aposentar – como aconteceu com o Baio de 1889 – ganha o direito de ser cuidado até o fim da vida em um projeto geriátrico do Exército Brasileiro.

Fonte: Por Marília Marques, G1 DF

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