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Chiara recusou superoferta por Landpeter, mas o garantiu na Olimpíada-2016

6 de agosto de 2016

Conheça a mineira que recusou R$ 7 milhões, mas agora verá seu cavalo na Olimpíada

Um projeto especial e uma dona mais do que apaixonada. É por conta destes dois fatores que o Brasil não só tem um excelente cavalo de salto como também o terá brigando por uma medalha na Olimpíada, que começa oficialmente nesta sexta-feira.

Mas Chiara Besenzoni, de 25 anos, precisou ter coragem. Ainda em 2015 e sem ter nenhuma garantia de que seu LandPeter du Feroleto seria convocado para estar no Rio, a dona recusou uma oferta de 2 milhões de euros (R$ 7,11 milhões) que chegou da Europa – lá, um animal de primeira linha como o dela vale 6 milhões de euros (R$ 21,3 milhões).

O valor foi apurado pelo ESPN.com.br, já que nem ela nem o cuidador, Sergio Marins, e o ginete que o monta, Stephan Barcha, quiseram revelar a quantia.

“Sempre falam que tem proposta. Mas este cavalo nunca foi parte de um projeto comercial, a gente cresceu ele e pronto. E sempre acreditei que ele poderia ir para a Olimpíada”]”, afimou à reportagem a mineira de Belo Horizonte.

Ela admite que consultou a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) quando houve o interesse em seu xodó, que fará o país ter de novo um cavalo 100% nacional em uma edição dos Jogos após 16 anos – a última vez foi em Sydney-2000, quando Aspen e Calei ajudaram, na ordem, Doda Miranda e André Johannpeter a ganharem a medalha de bronze por equipes.

“Eu nunca ia perguntar para a CBH se o meu cavalo iria para a Olimpíada, mas eu quis saber se ele estava nos planos, e me disseram que sim, que ele era um dos 15 que estavam avaliando. E aí eu decidi acreditar, se não fosse essa chance eu nunca mais teria outra de ver um cavalo meu em uma Olimpíada”, afirmou.

Chiara monta desde os dez anos de idade, mas há quase dois teve que decidir entre o seu principal hobby e a carreira na área da moda, não como modelo, mas na parte comercial. “Tive que abandonar.”

Ela partiu, então, para a Itália, terra natal do pai, empresário do ramo de transportes, e da mãe, que já atuou como estilista no passado e hoje não trabalha mais. No dia em que LandPeter foi anunciado como parte do time de hipismo que defenderá o Brasil no Rio, ela dava um passo na carreira: “Foi ao mesmo tempo em que eu estava assinando o contrato de dois meses de estágio.”

Embora atrapalhe, a distância não faz com que ela fique tanto tempo longe de LandPeter, já que desde 2015 o animal tem passado muito tempo na Europa, para onde foi trabalhar com o cavaleiro Stephan Barcha, amigo de Chiara, para participar de competições com níveis mais elevados e como parte final da iniciativa à qual foi submetido.

Em 2013, a Associação Brasileira de Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH) e a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) decidiram tocar um projeto para trabalhar com qualidade a formação dos cavalos desde bem novos, a partir de 3, 4 anos de idade.

“Temos uma das melhores genéticas do mundo, bons terrenos, mas o cavalo é mal formado. Então, criamos uma comissão com cinco especialistas, que tinha um técnico de salto, um veterinário, alguém com experiência em cavalos jovens, o armador de pista da Rio 2016 e eu”, explicou à reportagem o criador de cavalos BH (Brasileiro de Hipismo) há mais de 30 anos, ex-presidente da ABCCH e atual diretor de cavalos novos da CBH, Antonio Celso Fortino.

Com apoio de R$ 200 mil do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), uma verba ínfima tratando-se de hipismo, o grupo avaliou 200 cavalos de quatro estados, foi eliminando determinadas quantidades a cada fase e, no fim, LandPeter, hoje com 13 anos [fará 14 em 26 de novembro], acabou como vencedor – o ápice de um cavalo para competição se dá entre 14 e 16 anos.

Não é pouco, até porque, segundo Fortino, há uma estimativa de que a cada 10 mil cavalos no mundo, apenas um vira olímpico. Graças a Chiara e ao projeto, LandPeter tem tudo para se tornar um nos próximos dias.

Fonte: ESPN – Jean Pereira Santos, do Rio de Janeiro (RJ)

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