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Comida de pelo menos 220 cavalos da PM é alvo de suspeitas em meio a várias denúncias de corrupção | Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia

19 de dezembro de 2016

Compra de capim pela PM é investigada

Em meio à enxurrada de denúncias de corrupção na PM, até o capim que a corporação compra para alimentar pelo menos 220 cavalos é alvo de investigação no Ministério Público (MP). Um dos centros da apuração é a compra de 847.656 kg do alimento por R$ 915.468,48 (R$ 1,08 o quilo).

Vencedora da licitação por pregão, a Comercial Cedro Ltda começou a fornecer o capim em novembro, e o contrato vai até outubro. A empresa é acusada de estar aliada a ex-fornecedora da PM, a MAM Vidal Nogueira Nutrimentos, em fraude de documentos pela perdedora Verdejo Comércio de Forragens Ltda, que alega na Justiça ter sido prejudicada pela PM na licitação.

Em outro contrato, desta vez com a Capineira Indústria Comércio de Forragens Ltda, no valor de R$ 1.035.344, de 2008, a PM é investigada pelo Tribunal de Contas do Estado.

Coronel deve se explicar

A pedido do conselheiro Aloysio Neves, o então ordenador da despesa, o coronel Antônio Carlos Suarez David, terá de explicar a necessidade da compra de 976.740 kg de capim para a ‘tropa’ de cavalos à época.  Em documentos encaminhados ao MP, a Verdejo contesta o atestado de capacidade técnica dado pela MAM Vidal a Cedro. Alega que, na verdade, as empresas fazem parte de um mesmo grupo.

“Isso não é verdade. A Verdejo, que já foi Capineira, não aceita ter perdido o comércio de capim com a PM”, afirmou Marcela Pessanha, representante da Cedro. Em nota, a Polícia Militar informou que recebeu da Verdejo denúncias sobre licitações de 2010 e 2011, sem constatar ilegalidade. Mas, para garantir a transparência dos contratos, encaminhou os documentos ao MP. Procurados por O DIA, representantes da Verdejo e MAM não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

Aumento de 2.600%

O preço do capim negociado entre duas empresas, alvo da investigação, chama a atenção. Atual fornecedora da PM, a Comércio Cedro Ltda vendeu o quilo do produto a módica quantia de R$ 0,04 à MAM Vidal Nogueira de julho a outubro de 2011. No mês seguinte, venceu a licitação na PM cobrando R$ 1,08, o equivalente a um ágio de 2.600%.

“Vendemos por preço bem menor à MAM porque era só o capim. No caso da PM, inclui a logística de entrega, uso de caminhões e mão de obra. Com isso houve o aumento do preço”, explica Marcela Pessanha, representante da Cedro.

A MAM adquiriu o capim da Cedro para fornecer a própria PM. Isso porque, na época, tinha contrato com a corporação e vendia a R$ 0,76. A PM informou que não tinha conhecimento sobre a diferença de preços. Informou ainda que na licitação em 2011 a Cedro ofereceu o menor preço entre os concorrentes.

Fonte: odia

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