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Omar Freitas / Agencia RBS

30 de maio de 2019

Competição reuniu especialistas, em Viamão, na arte de encontrar a ferradura perfeita para os cavalos

O cenário era dos mais rústicos: um piso coberto com serragem, mesas com ferramentas, forjas, barras de ferro e baldes com água posicionados perto de cavalos, à espera de um quórum de competidores 100% masculino. Mas boa parte do que ocorreu durante a 2ª Clínica e Campeonato de Ferrageamento, realizada neste fim de semana na Hípica Santa Thereza, em Viamão, mais lembrava o trabalho de um salão de beleza.

Em muitos aspectos, o trabalho do ferrador lembra o de um podólogo. Limpar, aparar e lixar os cascos dos equinos é um processo determinante para a confecção de uma ferradura que se encaixe perfeitamente nas patas do animal, sem machucá-lo. Nesse momento, assim como nas clínicas estéticas, alicates e lixas — naturalmente de proporções bem maiores do que os utilizados em seres humanos— entram em ação, deixando a pata nas proporções que serão da ferradura a ser confeccionada. É o chamado casqueamento, primeira etapa do ferrageamento e um dos quatro critérios avaliados por uma dupla de jurados, vestidos com jalecos brancos, que circula entre os competidores, analisando sua performance.

— Uma boa ferradura tem de ter o formato adequado, ser simétrica e ter linhas suaves. E não pode machucar o animal. Se machuca, o participante é desclassificado — explica Mário Pereira, um dos jurados da competição.

Divididos em três categorias por nível de experiência, 20 profissionais participaram, neste domingo, das finais da competição, que tem como objetivo estimular a qualificação dos ferradores, premiando os mais destacados. Enquanto os 10 finalistas da categoria iniciantes eram desafiados a, em apenas 60 minutos, produzir uma ferradura a partir de uma barra de ferro, os cinco melhores da categoria intermediária e os cinco da categoria principal, chamada de aberta, tinham de fazer o trabalho completo, que inclui a preparação do animal e colocação da peça.

Após a primeira etapa, os gestos cuidadosos dão lugar a uma prática medieval: a fabricação da ferradura propriamente dita. Feitas as devidas medições, cada um insere o material em uma forja, pequeno forno ligado a um botijão de gás, de onde é retirado de tempos em tempos com a ajuda de uma pinça. Depois de resfriarem as extremidades do metal em um balde d’água, eles utilizam um martelo para dar forma à peça.

O ferrageamento está longe de ser uma atividade silenciosa. No começo da tarde, o som das marteladas desferidas pelos cinco finalistas da categoria intermediária — a categoria principal seria a última do dia — competia com a música eletrônica escolhida como trilha sonora pela organização do evento.

O desafio de superar o trabalho dos concorrentes é incrementado por uma corrida contra o tempo: os participantes contam com apenas 70 minutos para produzir duas peças e colocá-las nos cavalos. Além do casqueamento, os jurados avaliam a qualidade da ferradura, sua adequação à pata do cavalo (chamado de ajuste) e, por fim, o acabamento após a colocação no animal. Apesar do apelo estético da atividade, os atributos ortopédicos da peça são os que mais contam para o resultado, que é a soma das quatro notas. A beleza é levada em conta apenas como critério de desempate.

Na segunda edição do evento, que contou ao todo com 68 participantes de diferentes estados, da Argentina e do Uruguai, a recompensa veio em dinheiro. Autor do modelo escolhido como melhor da competição, Guilherme Monteiro, de São Paulo, ganhou R$ 2 mil. Vencedor da categoria intermediária, Bruno Pinheiro, de Minas Gerais, recebeu R$ 1,5 mil. Melhor entre os iniciantes, o gaúcho Douglas Gaier foi premiado com R$ 1 mil.

Fonte: gauchazh

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