Por Fora
das Pistas

Notícias

Genes de 13 ossadas encontradas no Cazaquistão dão detalhes dos usos civis e militares dos cavalos pela civilização Cita, contemporânea da Grécia Antiga.

6 de maio de 2017

Como um povo sanguinário ajudou a domesticar os cavalos

Uma análise genética dos ossos de 13 cavalos sacrificados por nômades Citas há 2,3 mil anos conta a história da domesticação desses animais pela espécie humana. O DNA contido nos esqueletos, encontrados no território do atual Cazaquistão, revela características anatômicas e comportamentais vantajosas que foram selecionadas para torná-los mais dóceis e adequados a subsistência e a aplicações militares.

Os cavalos ganharam um lugar nas fazendas humanas há 5,5 mil anos, inicialmente para fornecer leite e carne. Mais algumas centenas de anos se passaram até que eles dominassem os campos de batalha – onde foram relevantes até o começo do século 20, quando o uso de metralhadoras e veículos blindados sobre esteiras os tornou frágeis e obsoletos.

Os citas dominaram o centro da Ásia, entre a Rússia e o atual Irã, do século 9 a.C. até o início do Império Romano. Eles eram nômades e, segundo o historiador grego Heródoto, cruéis – tinham o hábito de cegar seus prisioneiros de guerra e beber o sangue do primeiro inimigo morto em uma batalha. Foram cavaleiros talentosos, conhecidos pela habilidade de disparar flechas envenenadas do topo de animais em movimento. Além da boa relação com os cavalos, também eram especialistas na domesticação de mamíferos como vacas e ovelhas.

Os esqueletos encontrados no Cazaquistão foram preservados pelo solo permanentemente congelado das regiões mais frias do país, conhecido como permafrost. Além dos 13 cavalos mencionados no início da matéria, que têm entre 2,3 mil e 2,7 mil anos de idade, também foi encontrada uma égua muito mais antiga, com 4,1 mil anos.

Os citas traziam animais de todos os cantos para sacrificá-los em rituais religiosos dedicados à realeza – o que torna essa espécie de “vala comum” um mapa genético abrangente dos cavalos que viveram entre a Ucrânia e a China naquele período. Para preservar os ossos, o DNA é extraído de fragmentos de menos de meio grama.

No artigo científico, publicado na Science, os pesquisadores, liderados pelo geneticista Pablo Librado, revelam as preferências citas na hora de escolher seus Rocinantes. Animais com pernas dianteiras mais grossas e musculosas eram favoritos – afinal, correr mais rápido que o inimigo é sempre uma boa ideia. Genes associados à retenção de água também foram encontrados. Nas éguas, eles são sinônimo de mais leite.

Fonte: Super Interessante –  (Viktor Vasnetsov/Domínio Público)

  • Compartilhe
  • <