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Renata Dias (à esquerda), Elea Mercúrio e José Affonso: empolgados - Ana Branco / Agência O Globo

25 de março de 2015

Comitê organizador começa a recrutar 70 mil voluntários para as Olimpíadas de 2016

Serão 10.500 atletas, 205 países, 42 modalidades esportivas e R$ 37,6 bilhões de orçamento. Recheada de números superlativos, as Olimpíadas do Rio dependerão da atuação de um batalhão discreto, que não ganhará medalhas, fama nem dinheiro, mas que precisará estar sempre de bom humor — obrigação que não será compartilhada entre atletas, técnicos, turistas, dirigentes e jornalistas. Dos 242 mil inscritos no programa de voluntários dos Jogos, o Comitê Rio 2016 vai selecionar 70 mil até o fim deste ano — número semelhante ao das Olimpíadas de Londres, em 2012.

As atenções estão voltadas para duas direções: encontrar mais candidatos fluentes em inglês e intensificar o programa de treinamento, a fim de evitar surpresas desagradáveis de última hora, como voluntários que desaparecem em pleno evento. Embaixadas e consulados vêm dando apoio à seleção de candidatos fluentes em idiomas menos usuais, como chinês e árabe.

No Pan de 2007, a organização enfrentou problemas com desistências. Entre os 15 mil selecionados, mais de dois mil abandonaram os trabalhos. A gerente-geral de voluntários do Comitê Rio 2016, Flávia Fontes, acredita que os candidatos com potencial para desistir vão abandonar o barco no processo de seleção. De olho na dedicação, ela acha que candidato bom é aquele que sabe dar uma informação com alegria, tem capacidade de resolver problemas e valoriza a convivência em grupo.

— Alguém com perfil de liderança pode se tornar responsável por um pequeno grupo de voluntários — explica Flávia.

No momento, o foco da organização dos Jogos é o treinamento de 2 mil voluntários que dão apoio à seleção de candidatos. Entre abril e novembro, todos os inscritos vão passar pelas seguintes etapas: dinâmica on-line, testes de nivelamento de idioma e, por fim, as entrevistas presenciais (somente para brasileiros).

O Comitê Rio 2016 tem um perfil da enorme massa de 242 mil candidatos. Inscreveram-se pessoas de 192 países diferentes, e 60% do total são brasileiros. Entre as nações com maior número de interessados em trabalhar nos Jogos, Estados Unidos, Rússia, China e Grã-Bretanha ocupam o topo do ranking.

Dos quase 160 mil candidatos brasileiros, metade tem até 25 anos, há mais homens (55%) que mulheres, e a maioria mora no Sudeste (70%). As despesas com hospedagem ficarão por conta dos voluntários.

— Queremos pessoas com um olhar diferenciado, com vontade de fazer o melhor — diz Renata Dias, funcionária do comitê.

ATENDIMENTO AO PÚBLICO

Na inscrição, cada candidato indicou sua preferência entre os locais de competição (Barra, Copacabana, Deodoro ou Maracanã) e os tipos de tarefas. Das 70 mil vagas, quase metade (30 mil) é direcionada para o atendimento ao público. Outros 15 mil vão ajudar diretamente nas competições. Os voluntários vão trabalhar em quase todas as áreas. A exceção ficará por conta dos setores de segurança e antidoping.

Além dos selecionadores, há um outro grupo de voluntários em ação: os pioneiros. É o caso do aposentado José Antônio Affonso, que tem o Panamericano, os Jogos Mundiais Militares, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo no currículo.

— A maior recompensa é o sorriso das pessoas — diz ele.

A atriz Elea Mercúrio foi outra a se inscrever. E foi além: compôs a música que embala o clipe da campanha de incentivo à inscrição de voluntários.

— Estava numa festa, comecei a dedilhar no violão e a fazer rimas. Uma pessoa que trabalha no comitê gostou e fui chamada para gravar o vídeo — conta Elea, orgulhosa.

Fonte: O Globo

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