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Filho de Hortência, João Victor Oliva já tem índice para disputar os Jogos Pan-Americanos de Toronto;

23 de abril de 2015

Com vaga no Pan, João Victor Oliva conversa com a Gazeta Esportiva

O primeiro cavaleiro brasileiro a obter índice para disputar a prova de adestramento nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 foi João Victor Oliva. Aos 19 anos de idade, o filho mais velho da ex-jogadora de basquete Hortência competirá no Canadá como parte de sua preparação para retornar em 2016 às Olimpíadas, evento com o qual teve contato ainda bebê.

João Victor Oliva garantiu índice para disputar os Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 ao vencer o CDI3* de Nice com média de 70.395%. Foi o segundo torneio deste nível em que superou o índice de 68% montando Xamã dos Pinhais, o que lhe deu índice para ser convocado ao evento continental no Canadá.

“Acho que o Pan será o campeonato mais forte da minha vida e claro que ter uma vila olímpica e atletas de outros esportes dá um clima diferente do que estou acostumado”, afirmou João Victor, com a fala pausada e sotaque do interior de São Paulo, onde fica o haras de seu pai, José Victor Oliva. “Tem vários medalhistas ali. O menino das argolas, Arthur Zanetti, a Maurren Maggi. Só de estar no meio destas pessoas está bom já, né?”, completou.

O Pan do Canadá é mais uma etapa na preparação do cavaleiro brasileiro para competir nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. No último ano, ele foi morar na Alemanha, um dos países com maior tradição na modalidade, para intensificar os treinos e buscar a vaga olímpica.

A mudança para a Europa, segundo o cavaleiro, foi bem aceita pela família, sobretudo por sua mãe, que disputou duas edições das Olimpíadas com a Seleção Brasileira de basquete. Em Barcelona 1992, a equipe nacional ficou com o sétimo lugar. Em Atlanta 1996, foi medalha de prata, melhor resultado na história, já com o jovem cavaleiro na torcida.

João Victor foi levado por Hortência a Atlanta 1996 com apenas cinco meses de idade, para acompanhar a atuação da mãe na campanha à medalha de prata com a Seleção Brasileira. A participação no evento da Rainha, como a jogadora ficou conhecida, chegou a estar ameaçada pelo pouco tempo de recuperação que teria após o parto.

“O objetivo é ir aos Jogos Olímpicos. Aí tem que ir passando por essas metas, como o Sul-Americano e o Pan. Até porque no Pan a gente tem mais chances de conseguir uma medalha por equipes e nas Olimpíadas é complicado porque os países da Europa são muito fortes”, disse ao receber a Gazeta Esportiva no haras do pai, em Araçoiaba da Serra.

Na Alemanha, João Victor Oliva mora em Mohnesee-Gunne, uma vila localizada 50km a leste de Dortmund, onde se exercita diariamente sob supervisão do técnico alemão Norbert Van Laak, com quem já trabalhava. O treinador, que vinha mensalmente ao Brasil para acompanhar períodos de treinos do cavaleiro, foi quem sugeriu a João Victor a mudança de país.

Ainda aprendendo alemão, “que é complicado”, o cavaleiro brasileiro utiliza o inglês nas tarefas cotidianas e comemora sempre que tem a chance de competir na Espanha ou em Portugal, onde tem mais facilidade para se comunicar.

“A diferença é da água para o vinho. Lá você sai na rua e vê gente montar cavalo, mas não jogando bola. É até estranho, cara”, confessou o atleta, que tirou cidadania italiana para ficar na Europa por longos períodos sem precisar retornar ao Brasil. “Em uma competição normal na Alemanha, você tem 50 concorrentes. Aqui são quatro ou cinco. Se você quiser ser bom nesse esporte tem que ir para lá”, explicou .

Apesar da distância, João Victor mantém comunicação constante com a família e tenta aprender com a mãe os caminhos para brilhar no esporte. A calma em cima do cavalo, da qual se orgulha, crê ter herdado da mãe, célebre por respirar profundamente para se concentrar antes de arremessar lances livres.

Do pai, adquiriu a paixão pelos cavalos. O empresário José Victor Oliva é criador de animais da raça Puro Sangue Lusitano em um haras na cidade de Araçoiaba da Serra, onde o filho gosta de passar o tempo quando está no Brasil.

“Minha mãe não entende tanto de cavalo e técnica, mas sabe bem o outro lado, que é o psicológico. Ela conversa comigo sobre isso, tudo o que está em volta, e me conta histórias das Olimpíadas”, disse João Victor, sem gosto pelo esporte que o fez conhecer a vila olímpica de Atlanta com cinco meses de idade. “Minha mãe nunca me forçou a jogar basquete e ela até fala que foi bom porque se não iria exigir demais de mim”, sentenciou.

Fonte: Gazeta Esportiva/ André Sender Araçoiaba da Serra (SP)

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