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Leandro Aparecido da Silva, de Cáceres (MT), ganhou medalha de bronze no hipismo em Toronto. Foto: Divulgação/Jane Monteiro

16 de julho de 2015

Com medalha no Pan, hipismo do Mato Grosso esbarra em alto custo

MANAUS – A primeira medalha da Amazônia nos Jogos Pan-Americanos de Toronto veio no hipismo: o mato-grossense Leandro Aparecido da Silva ganhou o bronze no adestramento por equipes. No entanto, o sucesso do cavaleiro no Canadá não reflete as dificuldades enfrentadas pelo esporte no Mato Grosso. Distante dos principais centros, o Estado emplaca poucos atletas em competições nacionais. O alto custo com viagens, instrutores e manutenção do cavalo dificulta ainda mais a popularização da modalidade.

Nascido em Cáceres (a 214 quilômetros de Cuiabá), Leandro é radicado em Ibiúna, no interior de São Paulo. O amazônida deixou Mato Grosso ainda na infância para morar com a família no Sudeste, onde se profissionalizou no hipismo. Por esse motivo, o cavaleiro é pouco conhecido no Estado onde nasceu. “Essa medalha foi até uma surpresa para nós, pois aqui em Cuiabá ele é pouco conhecido. Até porque não foi aqui que ele se desenvolveu no hipismo”, disse a ex-secretária da Federação Hípica do Mato Grosso (Fhimt), Sandra Santi.

Na terça-feira (14), Leandro ainda conquistou outro importante resultado no Pan de Toronto. Ele foi o sexto melhor na prova individual do adestramento, atrás apenas dos cavaleiros dos Estados Unidos e do Canadá, amplamente favoritos na disputa. Desta forma, além da medalha por equipes, o mato-grossense ainda deixou o Canadá como o melhor brasileiro na apresentação individual.

O contraste da medalha pan-americana de Leandro com a realidade do hipismo mato-grossense é facilmente perceptível: o cavaleiro compete no adestramento, modalidade sequer praticada no Mato Grosso. Do hipismo clássico, existem apenas competições de saltos no Estado. “Eu tentei estimular o adestramento [em Mato Grosso]. O foco era apenas nas provas de saltos e eu tentei abrir, mas infelizmente não é fácil. É um esporte caro. Se não houver incentivo do Governo, é difícil avançar nesse sentido”, disse o ex-presidente da Fhimt, Afrânio Migliari, ao Portal Amazônia.

As competições de hipismo no Mato Grosso são totalmente concentradas em Cuiabá e Várzea Grande. Curiosamente, o melhor cavaleiro mato-grossense da atualidade nasceu bem distante da região metropolitana.

Logística

Profissionalizar-se no hipismo morando em Mato Grosso é uma tarefa improvável. A disputa de competições fora do Estado exige um alto investimento financeiro. “Nós estamos distantes dos principais centros do hipismo, que são Rio de Janeiro e São Paulo. O transporte de animais é caro, não é qualquer caminhão que pode fazer. Pra disputar uma prova fora do Estado, o custo não fica menor que R$ 1,5 mil por viagem”, afirmou Sandra.

Afrânio Migliari compara as dificuldades geográficas de Mato Grosso com relação ao ‘vizinho’ Mato Grosso do Sul. “O Brasil é um País continental. Transportar cavalos para competições é muito caro e as estradas não ajudam. Por exemplo, daqui [de Cuiabá] pra Campo Grande, onde acontecem várias competições de hipismo, leva de 10 a 12 horas. É mais ou menos esse o tempo de viagem de Campo Grande até São Paulo, onde acontecem as principais competições”, ponderou.

O atual vice-presidente da federação, Ricardo Brito, também critica a falta de apoio do poder público ao esporte. “As nossas dificuldades são as mesmas: falta de apoio, de patrocínio, a distância dos grandes centros. Antigamente tinha um projeto para crianças carentes, mas isso se perdeu”, lamentou.

Brito estima que 50 cavaleiros estão em atividade no Mato Grosso. O alto custo do esporte impede que este número seja maior. “Não é qualquer pai que consegue dinheiro pra mandar o filho competir fora. E para quem quer se profissionalizar, só o custo de manutenção do cavalo é R$ 1,3 mil por mês. Fora o gasto com exames, que geralmente são de dois em dois meses, e com instrutor”, disse Sandra Santi.

Apesar das dificuldades, Mato Grosso continua formando talentos no hipismo. Experientes, as amazonas Paloma Freire, Juliana Almeida e Amália Benedetti são algumas das referências do Estado. Ricardo Brito também destaca os pequenos João Fagundes, 7, e Mariana Almeida, 10, que já competem nos eventos promovidos pela federação. Neste cenário, o grande desafio ainda é tornar o hipismo acessível para a população e, desta forma, emplacar cada vez mais Leandros para o Brasil.

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