Por Fora
das Pistas

Notícias

Médica veterinária Danielly Savi é a fundadora da Associação Força Animal, que cuida de 52 cavalos e cinco vacas, além de outros animais. | Albari Rosa/Gazeta do Povo

8 de outubro de 2017

Chácara que recupera cavalos, vacas e porcos maltratados corre risco de fechar

Depois de resgatar e tratar 52 cavalos, cinco vacas e centenas de animais de pequeno porte que eram maltratados e corriam risco de morte, incluindo uma tartaruga, a Associação Força Animal pode fechar suas portas. A instituição de Piraquara atua em Curitiba e região metropolitana desde 2014 com o auxílio de cinco voluntários e possui parcerias com clínicas veterinárias que oferecem descontos nos tratamentos dos animais. No entanto, tudo é pago com doações, o que faz com que a entidade sinta o efeito da crise econômica do país.
Assine a Gazeta do povo e tenha acesso ilimitado aos nossos conteúdos exclusivos.

Segundo a estudante de medicina veterinária Danielly Savi, fundadora da associação, o aluguel mensal do rancho onde os animais são tratados custa R$ 3.200 e está atrasado. Além disso, o grupo deve cerca de R$ 23 mil para consultórios que prestam atendimento aos animais. “Essas clínicas cobram valores especiais para ajudar o projeto, mas não estamos conseguindo cobrir esses custos. De maneira geral, os tratamentos são muito caros, principalmente dos animais de grande porte”, lamenta.

Os voluntários também utilizam diariamente 160 kg de ração para alimentar os animais, além de muito feno. Também são aplicados antipulgas e vermífugos e há necessidade de cobertas e toalhas para manter os recintos limpos durante os tratamentos. Com isso, conseguem manter atualmente quatro cavalos, duas vacas, três coelhos, 50 gatos, mais de 100 cães e dezenas de aves. “Todos esses animais estavam correndo sério risco de morte quando foram resgatados”, enfatiza Danielly.

Uma das éguas – chamada carinhosamente de Valesca – está entre eles. Forte, animada e com uma pelagem branca que chega a brilhar, é difícil imaginar o que a trouxe até o rancho. De acordo com a voluntária Nádia Almeida, 31, a égua foi atropelada no início deste ano por um carro no bairro Tatuquara, em Curitiba. “Ela estava com o peito todo aberto e os veterinários afirmaram que não sobreviveria”, recorda Nádia. Mesmo assim, ela e os colegas decidiram oferecer uma última oportunidade à Valesca. “Hoje ela está forte e nos dá a certeza de que esses animais querem viver”, enfatiza Nádia.

– Doação – saiba como ajudar a Associação Força Animal

A luta pela vida também é perceptível no caso da vaca Dandara. Resgatada no final de agosto, ela precisou ser aquecida por diversos cobertores, tomou suplementos e ainda tem recebido inúmeras medicações. “A Dandara chegou no rancho muito fraca e machucada. Teve um chifre arrancado e não conseguia mais andar. Só que ela não se entregava”, contou Danielly.

De acordo com a estudante, a vaca era maltratada pelo antigo dono e ainda sofreu uma queda. “Não sabemos ao certo como ela caiu, mas não recebeu nenhum atendimento e estava morrendo. Não tinha forças nem para abrir a boca e comer”. A equipe da associação ficou sabendo do caso e resgatou o animal no município de Araucária. “Também trouxemos seu filhote, que estava muito fraco. Agora, os dois estão livres de maus-tratos”.

Assim como eles, todos os outros pacientes do rancho foram salvos e carregam histórias de superação. “Temos um cachorro que ficou sete dias em coma após ser agredido com diversas pedradas na cabeça e temos outro que é surdo porque o antigo dono cortou suas orelhas com uma tesoura em casa e causou uma infecção irreversível. São situações inaceitáveis”, afirma Danielly.

Na maioria dos casos, segundo a médica veterinária, vizinhos fazem a denúncia e os proprietários dos animais os entregam à equipe. No entanto, como os bichos seguem para adoção após o tratamento, há donos que não aceitam entregá-los. “Eu mesmo acompanhei de perto o caso em que estavam judiando muito de uma água em Piraquara e não queriam deixar que ela viesse”, comentou o voluntário Luiz Lemes dos Santos, 38. “Ela estava toda machucada e magra. Acabei pegando uma Kombi velha que eu tinha e entreguei para a família em troca da égua”.

Animais para adoção

Tratados, os animais de grande e pequeno porte ficam à espera de um novo lar”. Para adotá-los, os interessados podem visitar a chácara em Piraquara ou entrar em contato com a equipe da associação pelo telefone (41) 99686-2884 ou pelo e-mail grupoforcanimal@gmail.com. “Para quem mora aqui na região, o ideal é vir pessoalmente, mas muitas pessoas de outros estados também adotam nossos animais, então possibilitamos outras formas de contato”, explica Danielly.

Quem pretende adotar passa por entrevista com um dos voluntários e assina um termo garantindo que possui condições financeiras para cuidar do animal e não o maltratará. Além disso, todos que adotam cavalos também devem se comprometer a não colocar o cavalo para trabalhar. “Para adotar, é necessário ter amor de sobra”, pontua a estudante.

Quem não pretende adotar, mas tem vontade de auxiliar no cuidado dos animais pode também oferecer um lar temporário para os cães e gatos ou ainda participar do Dia da Visita e do Dia do Banho Coletivo. Nessas datas, o rancho abre suas portas para que pessoas da comunidade brinquem com os animais e até ajudem a higienizá-los. As datas são divulgadas no Facebook da associação.
Doações

Também é possível ajudar o projeto com o depósito de valores para compra de medicamentos e outros produtos necessários para os tratamentos dos animais ou ainda realizar a doação diretamente nas clínicas parceiras do projeto. Quem desejar ajudar com alimentos pode escolher entre cenouras, maçãs, alfafa, sacos de ração e farelos de milho e trigo.

Remédios também podem ser doados. E, segundo Danielly, não precisam ser necessariamente medicamentos veterinários: cerca de 90% dos remédios usados por seres humano auxiliam nos tratamentos dos bichos. “Basta estar dentro do prazo de validade”, pontua a médica veterinária. Além disso, também é possível colaborar com equipamentos como baldes, pás de lixo de cabo grande e madeira para construção de novos recintos. “Sozinhos, nós não conseguiremos manter o projeto. Então, toda ajuda voluntária é muito bem-vinda”, finaliza Danielly.

Fonte: Gazeta do Povo

  • Compartilhe
  • <

Os comentários estão desativados.