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21 de maio de 2017

Cavalos pantaneiros sofrem com impacto da anemia infecciosa equina

O desempenho físico de cavalos é fortemente prejudicado pela anemia infecciosa equina (AIE). A descoberta foi feita por estudo da doença imunodepressora que atinge os equídeos (cavalos, jumentos, burros e mulas), confirmando os efeitos negativos causados pela enfermidade em cavalos do Pantanal.

Foram investigados animais usados no manejo de gado em fazendas da região. A iniciativa, liderada pela pesquisadora Márcia Furlan, da Embrapa Pantanal (MS), é desenvolvida desde 2013 e finaliza agora os primeiros resultados. “Essa doença é viral e não tem cura. Uma vez que o animal esteja contaminado, vai estar sempre contaminado”, diz a pesquisadora.

A pesquisa envolveu ainda o trabalho da pesquisadora Adalgiza Carneiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo Adalgiza, a equipe comparou o desempenho físico de um grupo de cavalos sadios com o de um grupo infectado em duas fazendas pantaneiras.

O objetivo era examinar se a doença prejudica a realização da principal atividade desses animais na região, que é o manejo do rebanho na bovinocultura de corte. Os testes foram aplicados em dois grupos homogêneos de cavalos da raça Pantaneira, com avaliações de intensidade progressiva – que simularam a rotina de trabalho dos animais na região.

Doentes trabalham menos

Após um período de condicionamento, aplicações de testes e análises, os pesquisadores constataram que os cavalos infectados têm um desempenho notavelmente inferior em relação aos sadios. “A frequência cardíaca dos cavalos negativos para o teste de anemia infecciosa equina fica baixa durante os testes. Quando os que possuem a doença entram no trote ou no galope, essa frequência vai lá em cima. Portanto, vemos que os animais infectados suportam menos trabalho”, diz a pesquisadora.

Para Adalgiza, isso significa que os animais positivos para AIE são mais suscetíveis a falhas e ataques cardíacos durante trabalhos intensos e longos no campo – característicos da região pantaneira – podendo chegar, até mesmo, à morte.

Outra análise realizada pela equipe foi a avaliação de distância percorrida. Nesse teste, os animais andavam 1.500 metros em cada modalidade: passo, trote curto e alongado, galope curto e alongado. “Vimos que a distância percorrida pelos cavalos sãos foi maior que a percorrida pelos positivos, que não aguentavam nada. Logo, a frequência cardíaca deles chegou a quase 200 – o máximo que se consegue no trabalho de um cavalo. A dos negativos ficou baixa, mostrando que, realmente, os animais positivos trabalham menos e suportam menos a lida no campo”, explica.

Para a pesquisadora, esses resultados desmentem a noção de que os animais contaminados trabalham com a mesma eficiência dos sadios: “Isso vem para convencer o produtor rural de que ele perde dinheiro se mantiver esses animais positivos na fazenda”.

Fonte: 24 Horas News

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