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Cavalos receberam atendimento médico e são treinados para serem usados pela PM. (Foto: Maria Anffe/GcomMT)

2 de agosto de 2015

Cavalos apreendidos de traficante são usados pela cavalaria da PM em MT

Cinco cavalos que foram apreendidos de um traficante passam por treinamento para serem usados pela cavalaria da Polícia Militar, em Cuiabá. Os animais estavam em uma fazenda que pertencia ao acusado, preso em Cáceres, a 220 km de Cuiabá. Ele comandava o tráfico internacional na região Oeste de Mato Grosso.

Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), o traficante permaneceu preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, porém, atualmente está em uma penitenciária federal do país.

Depois da prisão do acusado, os cavalos foram deixados de lado na fazenda. Os bens dele foram apreendidos pela Justiça de Mato Grosso e alguns doados à Segurança Pública, como no caso dos cavalos.

Há quatro meses os animais pertencem ao Regimento de Policiamento Montado da Polícia Militar (RPMon), que já contava com 27 cavalos que trabalham em ações de policiamento ostensivo na capital mato-grossense, como na segurança no entorno da Arena Pantanal e no Centro de Cuiabá.

Foram doados um potro e quatro cavalos adultos das raças Quarto de Milha e Manga-Larga. Os animais ganharam nomes: Beltrão, Baio, Braddock, Bolicho e Bagual. A tradição da cavalaria é ‘batizar’ os animais em ordem alfabética conforme o ‘lote’ que eles vieram. Como esses cinco cavalos são o ‘segundo lote’ para a cavalaria, ganharam nomes que começam com a letra ‘B’.

Segundo a veterinária Manuela de Arruda e Silva, os cavalos receberam vermífugos e vacinas. “Após a prisão do dono da fazenda, os animais ficaram abandonados na propriedade. Em razão disso, eles chegaram ao Regimento com carrapatos, feridas e fungos. Já foram tratados e hoje estão bem”, explicou a veterinária.

Os cavalos também passaram por exames para detectar possíveis casos de anemia ou mormo – uma grave enfermidade infectocontagiosa. As avaliações não encontraram nenhuma doença.

Depois de passarem por essa ‘bateria’ de exames e medicações, os animais foram iniciaram um treinamento para futuramente serem colocados em serviço, junto com os policiais. Eles ainda não foram usados em ações de policiamento igual aos outros cavalos.

“Eles estão conosco há quatro meses e estão passando por um processo de ‘doma racional’. São animais que eram usados para lidar com o gado na fazenda, são domados, mas estavam acostumados com a vida no campo. O treinamento consiste em coloca-los em situações que eles podem encontrar na rua, como barulho e movimentação de pessoas”, disse ao G1 o PM e comandante do RPMon, major Hender Ulisses da Silva.

Conforme o major, a doma consiste em um processo de ensinar ao cavalo, através da confiança, a não temer a presença de um humano e conseguir criar um vínculo com o dono ou quem o esteja conduzindo. “Hoje nossos cavalos transitam tranquilamente no parque de exposições. As pessoas passam a mão, fazem carinho e eles não se assustam mais”, comentou o comandante.

Duas veterinárias e estagiários de faculdades/universidades da capital cuidam da saúde e tratamento de todos os cavalos do RPMon. Dos cinco animais, o major avalia que dois deles, aqueles que têm mais idade, poderão ser usados no policiamento nos próximos dois meses.

Os outros animais, por ainda não terem idade e estrutura física suficiente, devem ficar mais tempo em treinamento até conseguirem apresentar as características específicas que os treinadores pretentem.

O RPMon também recebeu um novo caminhão para transporte de equinos, adquirido pelo Estado, que permite o deslocamento mais rápido da tropa. O caminhão tem capacidade para transportar 12 cavalos e 12 cavaleiros, além do motorista e dois auxiliares.

A estrutura onde os animais são transportados é equipado com duas câmeras, que permitem o monitoramento dos animais durante os deslocamentos. Além disso, o espaço é climatizado, o que garante a saúde dos cavalos.

Traficante
Os bens do traficante foram apreendidos após uma operação policial, ocorrida em novembro de 2014. Na ocasião a polícia apreendeu 150 kg de pasta-base de cocaína e prendeu quatro pessoas que estavam na fazenda. Os pacotes de droga estavam enterrados na propriedade. Por decisão da Justiça, os bens foram revertidos para o estado investir na segurança pública.

Em junho, o rebanho que pertencia ao traficante foi a leilão em Cuiabá. No total, foram vendidas todas as 1.603 cabeças de gado da propriedade rural pela quantia de R$ 3,3 milhões.

Fonte: Denise Soares Do G1 MT

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