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28 de julho de 2017

Cavalo Pantaneiro é destaque na feira agropecuária da cidade de Cuiabá

As características que definem um Cavalo Pantaneiro são resistência, versatilidade, inteligência, beleza e custo-benefício. Esta raça única de equinos – que se adaptou como nenhuma outra ao ambiente quente e úmido, às extensas marchas e ao manejo do gado diário na planície pantaneira – foi o protagonista do julgamento morfológico e da prova do laço comprido técnico, no Parque Senador Jonas Pinheiro, durante a 53ª Exposição Agropecuária (Expoagro) de Cuiabá, que aconteceu de 7 a 16 de julho.

Para muitos, essa raça de temperamento vivo, mas dócil, é a “mola propulsora” da agropecuária sustentável do Pantanal – aguentando mais de 12 horas diárias de serviço e apresentando grande aptidão ao esporte. Em 2017, foi a vez do cavalo pantaneiro Filé da JK conquistar o título de campeão.

Segundo o cuidador Júlio Santos Mendes, Filé é um exemplo desse quadro positivo da lapidação da natureza, com o auxílio do homem, há mais de três séculos. “Ele é um cavalo muito bem tratado e de boa linhagem. Hoje, tem seis títulos. Quando era potrinho, de seis a 10 meses, já conseguiu os primeiros. Depois, foi ‘campeão reservado’ na exposição em Poconé e conseguiu aqui, em Cuiabá, o título de grande campeão da raça”. Na categoria fêmea, a égua Bromélia do São Bento, do criador Rodolfo Gomes da Silva, levou o título de campeã.

LEILÃO

O cenário bem sucedido é pintado por negociações como a do Cobiçado do São Bento, do criador Rodolfo Gomes da Silva. O animal foi vendido pelo valor de R$75 mil, valorizando-o ainda mais no mercado regional e firmando-o como estrela do leilão na Expoagro. Da mesma forma, consta a égua Aliança da Rancharia, do criador Sérgio da França, comercializada pelo valor de R$69 mil. Em 2017, o leilão da raça movimentou cerca de R$700 mil, conforme informou Rodolfo Paes Barros, um dos organizadores do evento.

Outra vantagem apresentada pelo cavalo pantaneiro frente a outras raças tem gerado uma valorização média de 20% deste animal a cada ano. Tal diferencial engloba, principalmente, o fato de ter exigência alimentar menor por ser uma raça de médio porte e com musculatura não exuberante como a de outras raças como a Árabe.

Característica única do cavalo pantaneiro se desdobra na capacidade de passar longos períodos – superiores a seis meses – com as pernas dentro da água. Isto, sem resultar no possível óbito do animal em virtude do apodrecimento dos cascos causados por fungos que se desenvolvem na broca dos cascos, que por sua vez, procuram a umidade para se proliferar durante as enchentes regionais. Da mesma forma, por causa de suas narinas largas e elásticas, possui habilidade de pastar com a cabeça embaixo d’água – demonstrando sua grande capacidade respiratória.

RAÇA

O cavalo pantaneiro surgiu de cruzamentos de equinos de origem lusitana (Céltico, Barbo e Andaluz), do Árabe e do Crioulo Argentino – na época da colonização do Brasil. Também pode receber outras denominações de acordo com o município em que se encontre – como Poconeano, por exemplo, por ser de Poconé.

Na última década, o cavalo pantaneiro voltou a ser respeitado e valorizado economicamente, assim como ganhou destaque no criatório nacional – tendo em vista que no começo da década de 1970 muitos pensaram que ele iria desaparecer, após a infestação de Anemia Infecciosa Equina (AIE), que chegou a contaminar quase 100 mil animais.

“Na Expoagro, mostramos para todos o quanto o cavalo pantaneiro é bonito, dócil – com crianças montando – e bom na lida, trabalhando. Uma raça que deve ser respeitada e que, cada vez mais, ganhará destaque no país”, disse o criador Daniel Gomes da Silva, ex-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Pantaneiro (ABCCP).

Fonte: poconet

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