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Zanotelli têm obtido boa pontuação no circuito de hipismo; foto: Luis Ruas/CBH

26 de setembro de 2015

Cavaleiro maranhense brilha no hipismo internacional

Filho de um cavaleiro que perseguia o sonho de disputar o Pan de 95 e percorria o Brasil num caminhão promovendo eventos de CCE, Marlon Zanotelli é hoje o melhor do país no ranking internacional

Zanotelli têm obtido boa pontuação no circuito de hipismo

Felizmente, Marlon Zanotelli foi teimoso e não seguiu os conselhos paternos, que o preveniram a não ser cavaleiro. “Ele sempre me disse que era sofrido. Meu pai falou para eu ganhar dinheiro ou ir jogar bola, e então montar por prazer”.

Filho e neto de cavaleiros, Marlon insistiu e hoje é o brasileiro mais bem colocado no ranking da Federação Equestre Internacional, na 30ª colocação, à frente de medalhistas olímpicos como Rodrigo Pessoa e Doda. Tem altas chances de disputar a Olimpíada do Rio. Aos 27 anos, monta animais do empresário irlandês Enda Carroll em Waterloo, na Bélgica, onde Napoleão perdeu a famosa e renhida batalha.

Quando chegou lá, Marlon já sabia bem o significado e a importância de se batalhar no esporte, inspirado na luta do pai, Mário, a milhares de quilômetros de distância. Nascido em Imperatriz, no Maranhão, Marlon foi criado em São Luís, onde a família cuidava de um orfanato. Como o terreno era alvo de invasões dos sem-teto, Mário foi pedir apoio a um coronel da Polícia Militar, que era da cavalaria. Em troca, o oficial pediu ajuda a Mário, a fim de reativar a escola de equitação do quartel. Mário havia aprendido a montar no Rio Grande do Sul, onde seu pai atuava como oficial do Exército.

Desenvolvendo a atividade, Mário se empolgou com o hipismo e foi buscar aprimoramento em um curso na Escola de Equitação do Exército, no Rio. De volta ao Maranhão, fez uma tentativa intrépida de se inserir no circuito da modalidade CCE (Concurso Completo de Equitação), com o objetivo de conquistar vaga nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, em 95.

Mário adaptou um caminhão para transportar cavalos. Na frente, viajavam o cavaleiro, sua mulher, Marlon, os três irmãos dele e o tratador dos animais. “Ele vendeu a casa e viajamos o Brasil, promovendo competições. Em 95, ele foi campeão carioca de CCE. A gente morava no caminhão. Nas paradas, dormíamos em fazendas e sítios”, recorda Marlon. “Eu e meus irmãos brincávamos e nos divertíamos montando, e desde moleque eu já adorava ir a concursos”, completa.

Mário chegou a ser campeão carioca de CCE, mas não conseguiu a tão sonhada vaga no Pan. No entanto, incutiu no filho o amor pelos cavalos e pelo hipismo. Malogrados os planos pan-americanos, os Zanotelli trocaram a vida mambembe e nômade por uma mais sedentária. Mário se assentou em Fortaleza, onde implantou um projeto de ensino de equitação. Na capital cearense, o pequeno Marlon se envolveu nas competições de jovens cavaleiros, disputando troféus estaduais e nacionais.

Em 2007, Marlon recebeu um convite para trabalhar na Guatemala com Hélio Pessoa, irmão do grande cavaleiro olímpico Nelson e tio de Rodrigo, campeão olímpico. Naquele país, Hélio trabalhava a parte esportiva de um criadouro da importante família Tejada.

Depois de uma temporada em São Paulo, trabalhando com o cavaleiro Yuri Mansur, Marlon fez uma primeira incursão pela Bélgica, para trabalhar com o famoso cavaleiro Ludo Philippaerts. Hoje trabalhando para Carroll, Marlon cavalga excelentes animais. Essa qualidade de montarias, aliada ao talento do cavaleiro maranhense, pôde propulsioná-lo no ranking.

“A minha situação hoje é muito boa. Tenho bons cavalos e tudo caminha para que eu vá para a Olimpíada, mas a vaga não está carimbada”, frisa o cavaleiro.

Seja qual for a equipe que vá representar o Brasil nas instalações de Deodoro, no Rio, Marlon acredita firmemente nas possibilidades de o país retornar ao pódio olímpico. Nas competições por equipes, o Brasil obteve bronze nos Jogos de 96 e 2000. “Antes tínhamos três ou quatro bons cavaleiros, hoje temos uma boa quantidade de cavaleiros se destacando na Europa, graças ao trabalho da Confederação Brasileira de Hipismo”.

Fonte:  Alessandro Lucchetti – iG – São Paulo

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