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Eduardo Suñe; foto: divulgação

28 de fevereiro de 2017

Carta aberta do presidente da ABCCC – 85 anos de evolução

Já faz muito tempo, desde que o homem do campo entendeu que poderia utilizar o cavalo como ferramenta auxiliar ao seu trabalho, que esse animal se tornou mais do que simples condução. Sobre a sua garupa, fronteiras foram quebradas, territórios desbravados e novas formas de qualificar o serviço rural foram desenvolvidas.

Todas essas conquistas consolidaram o cavalo como extensão indispensável ao braço do campeiro. Mais especificamente, a raça Crioula – caracterizada pela rusticidade, versatilidade funcional e alta capacidade de adaptação – passou a ser reconhecida como a parceira ideal na administração das lidas, além de se destacar também no esporte e no lazer.

Esse reconhecimento, porém, exigiu muita organização, empenho e dedicação. E foram essas características, somadas à afeição e apego do gaúcho ao seu cavalo, que nortearam os visionários que, há 85 anos, idealizaram uma entidade capaz de unir e incentivar os seus associados a trabalhar em favor de uma raça.

Desde 1932, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) atua sob os mesmos preceitos: preservar, melhorar e difundir a raça Crioula no Brasil. E assim vem sendo, através de tantos homens e mulheres que se sucederam nos mais diversos cargos e funções ligadas à entidade e que, de alguma forma, deram a sua contribuição com a evolução dos serviços prestados por ela.

Passadas oito décadas e meia desde sua criação, hoje temos orgulho de fazer parte do quadro de uma instituição reconhecida como uma das maiores associações de raça no país, respeitada pela credibilidade e considerada uma referência em gestão técnica e administrativa. Durante todo esse período, a ABCCC profissionalizou a sua atuação, modernizando os seus métodos sem deixar de valorizar a tradição da sua cultura.

Seu trabalho fez a raça tornar-se conhecida e admirada em todo o país. Mais do que isso, deu luz à multifuncionalidade do Cavalo Crioulo provando que, além de incansável no serviço, ele também poderia ser um excelente atleta nas mais diversas modalidades dos esportes equestres e ainda um belo e dócil companheiro nas cavalgadas e atividades de lazer em família.

Esse amplo leque de opções associadas à raça possibilitou a sua expansão pelo país, e o colocou entre as maiores manadas de equinos do Brasil. O Cavalo Crioulo, reconhecido por lei como o animal símbolo do Rio Grande do Sul, é atualmente o responsável por um complexo econômico que movimenta cerca de R$ 1,28 bilhão e gera mais de 280 mil postos de trabalho por ano no país, segundo levantamento feito pela Esalq/USP.

Toda essa evolução, no entanto, não satisfaz as nossas aspirações. Queremos, e temos a convicção de que é possível, crescer ainda mais. E vamos trabalhar muito por isso. Mantendo os mesmos preceitos que nortearam aqueles que, lá no início, fizeram essa realidade possível: a qualificação criteriosa e fundamentada, mirando o futuro sem abdicar de nossas raízes.

* Eduardo Suñe * Presidente da ABCCC

Foto: ABCCC/Divulgação

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