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Enquanto no feirão, criança aproveita para fazer um carinho no pequeno cavalo (Foto: Rodrigo Breves / GloboEsporte.com)

28 de março de 2016

Campeão olímpico assume a ponta nos saltos, que tem comparação de cavalos com carros em coletiva. Pôneis tomam conta da Scandinavium Arena

Gotemburgo respira hipismo nesta Semana Santa. A final da Copa do Mundo já seria o suficiente para movimentar uma cidade apaixonada pelo esporte. O Gothenburg Horse Show é mais que isso, já que está completando 40 anos de existência, dois a mais que a própria competição. E é uma oportunidade para empresas que vendem todo tipo de produto relacionado aos cavalos.

No caminho entre o hotel Gothia Towers, onde atletas, dirigentes da FEI (Federação Equestre Internacional) e turistas em geral estão hospedados, e a Scandinavium Arena, fica uma enorme feira temática que oferece carros para transporte dos animais, roupas para montar, capacetes, selas, alimentação especial e até estábulos completos. Tem lava-roupa que os vendedores garantem ser especializado em deixar mantas de cavalos limpinhas.

No meio de tanta coisa diferente, é possível se achar iniciativas interessantes para o esporte. A Universidade Chalmers, por exemplo, usa a tecnologia e a matemática para ajudar a desenvolver o hipismo com sensores que registram a altura do salto de cada cavalo para melhorar os treinamentos e até prevenir contra lesões. Vela e natação também estão no campo de estudos para que os atletas suecos tenham performances cada vez melhores.

E a feira ainda garante incentivo para os atletas também. Vários deles abocanham uma verba extra de publicidade estampando campanhas de selas ou outros produtos. É um prestígio que reverte em patrocínio ou material de qualidade para que eles possam ter mais tranquilidade nas suas apresentações no adestramento ou nos saltos.

O sábado teve na parte noturna mais uma rodada da competição de saltos com 33 atletas. Apenas sete conseguiram zerar o percurso, entre eles o campeão olímpico Steve Guerdat, da Suíça, o único a não cometer faltas nos dois dias. Os sete melhores do dia voltaram para um percurso mais simples e o alemão Christian Ahlmann ficou em primeiro. Guerdat até derrubou uma barreira nesse desempate, que não valeu para o somatório da pontuação, e é o líder geral, seguido pelo alemão Marcus Ehning, que já foi tri da Copa do Mundo, e pelo holandês Harrie Smolders.

O suíço, que também detém o atual título da Copa do Mundo, vencido em Las Vegas, no ano passado, não está utilizando o seu principal cavalo Nino de Buissonnets, que foi o seu conjunto na conquista das Olimpíadas de Londres, em 2012. Ele estreou Corbinian e se questionava sobre o rendimento do animal:

– Tinha muitas dúvidas antes da competição, mas sabia que era um cavalo de qualidade. Não imaginava que já tinha garantido o primeiro lugar geral, que é o mais importante, antes do desempate. Não sou bom de cálculo. Achei melhor voltar. Sou melhor esportista do que matemático – brincou o campeão.

O alemão Ahlmann, por sua vez, também se permitiu uma brincadeira na coletiva e achou seu cavalo Taloubet Z tão rápido que parecia estar dirigindo uma Ferrari. Perguntados sobre a que carros comparariam suas montarias, o irlandês Denis Lynch e o holandês Smolders entraram na gozação. O primeiro disse que o seu All Star 5 estava mais para uma Land Rover, enquanto o segundo classificou Emerald como um Aston Martin.

Após as provas do dia há sempre uma homenagem especial aos atletas mais destacados. Mas nada de vir o cavaleiro sozinho como acontecem em muitas premiações. Eles voltam montados, têm direito a uma volta olímpica pela arena e muitos aplausos vindos da arquibancada.

Não foram só os astros dos saltos que ocuparam a Scandinavium Arena, que tem capacidade para 12 mil espectadores. São cinco dias para se assistir às mais diversas competições envolvendo cavalos como um Grande Prêmio de Pôneis, por exemplo, com pequenas amazonas, mostrando seu talento mirim no mesmo espaço dos profissionais. O público do dia girou em torno de 11 mil pessoas, segundo os organizadores, bem melhor do que muitos campeonatos estaduais pelo Brasil afora.

Em 2017, as finais da Copa do Mundo serão disputadas em Omaha, nos Estados Unidos. Mas o Horse Show e seu feirão vão seguir firmes na segunda maior cidade da Suécia com direito a bom público, predominantemente feminino e com muitas crianças, que tem a oportunidade, por exemplo, de ver pôneis bem de pertinho e até fazer um carinho nos animais.

Fonte: Globo Esporte/Por Rodrigo BrevesDireto de Gotemburgo, Suécia

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