Por Fora
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12 de abril de 2015

Autoestima e superação na terapia com cavalos

Histórias de lutas e de conquistas se passaram no lombo do cavalo. Há milhares de anos o animal foi utilizado pelo homem, nas mais diferentes atividades, e também como único meio de transporte. Atualmente, um dos símbolos dos gaúchos, além de ser treinado para auxiliar o homem nas lides campeiras, nos esportes, nas relações de trabalho e no lazer, passou a fazer parte de uma terapia que tem mudado a vida de muitas pessoas – a equoterapia. O Conselho Federal de Medicina já a reconhece como método eficaz, não apenas pelo potencial clínico de reabilitação de movimentos, mas também por suas propriedades de reintegração social e psicológica.

Conforme a fisioterapeuta e equoterapeuta, Olga Bohn Martins, 31 anos, a terapia com cavalos, atualmente vem atendendo crianças, adolescentes, adultos e idosos com ou sem necessidades especiais. ‘A equoterapia atende as necessidades físicas, cognitivas, emocionais e comportamentais, desenvolvendo o máximo de seu potencial, tornando-os ativos em seu processo de desenvolvimento e melhorando a autoestima’, destaca. A profissional afirma, também, que a equoterapia caracteriza todas as práticas que utilizam o cavalo para técnicas de equitação e atividades equestres, objetivando a reabilitação de pessoas, bem como a educação, ou ainda as duas interligadas.

Segundo a profissional, a palavra equoterapia não só remete ao significado de terapia que utiliza equinos, como também pode ser visto sobre o prisma da palavra “Équo”, sinônimo de igual, justo, imparcial e favorável.. ‘O cavalo é um dos poucos animais que marcaram presença desde sempre nas conquistas do homem. Dados históricos comprovam sua contribuição na evolução do mundo.’ Na relação homem x cavalo, estas qualidades estão sempre presentes e podem ser observadas pela resposta do animal, que espelha os comportamentos humanos com eficácia e sem julgamentos

Folha do Mate: Como e porque resolveu seguir este caminho da terapia com cavalos e há quanto tempo atuas neste segmento?
Olga Bohn Martins: Sempre gostei das tradições gaúchas e, como o cavalo é um dos maiores “símbolos” do gaúcho vimos (eu e o Vermelho) [namorado, Angelo Dessoy] uma possibilidade de unirmos as duas paixões – o útil ao agradável – a fisioterapia e os cavalos. Comecei então minha procura por conhecimento e formação. Em 2008, fiz o Curso Básico e daí então não parei mais […curso básico e avançado pela Associação Nacional de Equoterapia – ANDE/BR].

Alguma didática específica para iniciar, especialmente, a criança nesta atividade. Como eles aceitam, e os resultados?
A Equoterapia é uma técnica de fácil aceitação por crianças e adultos, pois parece ser mais uma brincadeira que uma terapia. Claro que levamos em consideração o tempo de adaptação e o interesse de cada um. Quem não quiser montar ou tem medo é respeitado, pois o cavalo não serve só para montar, é necessário antes de tudo vinculação. Os resultados são visíveis já nos primeiros contatos com o animal, tanto na parte física/motora (coordenação, equilíbrio, postura, força, flexibilidade) quanto na parte emocional (autoestima, segurança, respeito, limites) e cognitiva.

O animal utilizado para as atividades passa por algum treinamento antes, ou instintivamente, se entrelaça com o praticante?Primeiramente, o animal passa por uma pré-seleção, onde observamos a índole, a personalidade, morfologia e andadura do cavalo. Ele sendo manso e calmo vai para um treinamento para se adaptar aos exercícios e materiais que utilizamos nos atendimentos dos praticantes, pois eles participam ativamente do seu processo terapêutico. O cavalo é a figura principal.

A partir de que idade o praticante pode ser introduzido nesta atividade terapêutica?
Temos uma idade limite que é 1 ano e meio. Mas é importante ressaltar que independente da idade é preciso liberação médica e avaliação da equipe terapêutica para a prática. Idosos podem se beneficiar muito da equoterapia, pois com a idade há diminuição do equilíbrio, da força muscular, da coordenação, sem contar que a maioria deles quando mais jovens utilizaram o cavalo. Poder resgatar isso é garantia de bem-estar emocional.

Existe um tempo determinado para a prática da terapia, ou segue a aceitação do praticante?
Apesar dos resultados surgirem logo, orientamos que o trabalho seja mantido por pelo menos 1 ano, semanalmente, pois é uma terapia com enfoque terapêutico, onde há eficiência e bem-estar pessoal.

“Equoterapia não é só andar a cavalo, envolve paixão, estudo e prática.”  – Olga Bohn Martins – Fisioterapeuta e equoterapeuta

Fonte: Beatriz Colombelli; Foto: Giovane Sebastiany / Folha do Mate

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