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Foto: João Caramez

25 de abril de 2019

Arte no preparo de cavalos crioulos para competir

Charles Lopes é um homem campeiro. Aos 46 anos, conhece bem o ofício de domador. Com as mãos seguras nas rédeas, sustenta a confiança de 15 anos na lida como treinador de cavalos crioulos para competições. O aprendizado foi com o avô Mário, já falecido. Depois, para entrar no ramo e se tornar profissional, buscou aperfeiçoamento por meio de cursos. “Gosto de lidar com os cavalos desde pequeno. Não foi algo forçado. Meu avô me ensinou os primeiros passos”, explica.

No centro de treinamento batizado com o próprio nome, em Cerro Alegre Baixo, interior de Santa Cruz do Sul, Charles mantém uma média de 20 animais que, dependendo da linhagem e da qualidade funcional, superam a marca de R$ 50 mil. Há proprietários locais, mas também de fora, como Porto Alegre, Bento Gonçalves, Pantano e Candelária. O domador ressalta que o cavalo é um ser vivo e deve ser tratado com carinho e paciência. A dificuldade varia conforme o instinto do animal. “Para que o animal possa aprender, temos que trabalhar com uma recompensa. É preciso estar sempre atento ao cansaço, fator que afeta muito no treinamento”, detalha.

Especializado na arte de domar, Charles já ganhou moto e premiação em dinheiro, como nas provas do Redomão de 21 Dias, em que um cavalo atestadamente xucro precisa ser apresentado em três semanas totalmente domado. O animal deve obedecer a funções estabelecidas sob controle do domador. “A rotina é puxada. São sete dias por semana. Dá tempo só de ir na cidade fazer alguma coisa e voltar”, observa. Para auxiliá-lo, outras quatro pessoas trabalham no CT. Charles também atua como ginete, com pés firmes nos estribos e a perícia sobre o lombilho. Participa das credenciadoras e classificatórias para o Freio de Ouro, que se estendem durante o ano.

Herdeira

A filha Luiza Caroline Lopes, de 15 anos, compete como ginete em diversas provas vinculadas à Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC). No Freio de Ouro, principal competição da raça, que acontece todos os anos na Expointer, em Esteio, Luiza já faturou dois de ouro, um de prata e um de alpaca nas categorias de base. O de alpaca foi no ano passado, com o zaino Barão do Tiro Curto, de quatro anos. O animal também será parceiro de Luiza na final de uma prova de paleteada, em maio, durante um evento em Lavras do Sul.

O pai, orgulhoso das exibições da filha, guarda os vídeos no celular para relembrar as performances. “Ela sempre gostou de estar com os cavalos desde pequena. Já disse que vai fazer veterinária”, revela. Charles aponta que o animal pode estar pronto para competir entre um ano e oito meses e dois anos e quatro meses. O desenvolvimento da estrutura óssea é importante para o tempo de preparo. Segundo ele, os animais competem até 12 anos, considerada uma idade limite. A colorada Monalisa da Vendramin, com três anos, está sendo preparada. A intenção é colocá-la em provas do ano que vem. “É uma égua muito bonita, tem excelente morfologia”, atesta Charles.

Fonte: GAZ

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