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Matias Albarracin é o principal cavaleiro argentino (Foto: Diego Guichard)

14 de agosto de 2016

Amigo de Verón e com DNA brasileiro: argentino quer surpreender nos saltos

Um dos destaques das disputas de saltos no hipismo na Rio 2016 fala português, nasceu no Paraná e é apaixonado por futebol. Só que, por mais estranho que pareça, esse competidor não é brasileiro, mas argentino. Naturalizado no país vizinho, Matias Albarracin mostra confiança para provar a ascensão da sua nação na modalidade e ter chance de medalha.

Matias nasceu em Curitiba, em 1979. Quando tinha quatro anos, no entanto, se mudou com os pais argentinos para Buenos Aires. Deixou o verde e amarelo tupiniquim para adotar o azul e branco portenho. Mas nunca abandonou o apreço pelo país em que nasceu.

– Meu pai é cavaleiro e trabalhava aqui, namorou com minha mãe que também era argentina e os pais estavam morando aqui. Meu irmão nasceu primeiro e depois eu. Gosto muito do Brasil, tenho família aqui e sempre passo bem, é muito perto. Sou 100% argentino, mas falo o idioma como qualquer outro. O dia que não torcer a favor, não vou fazer macumba – brincou, em bom português.

Amizade com Verón

Aprendeu a montar e galopar desde criança. Afinal, é filho de Justo Albarracin, ex-cavaleiro que disputou dois Jogos Olímpicos. Para o filho, no entanto, será a primeira oportunidade em que terá esse sabor. Em 2012, chegou a estar muito perto, mas não conseguiu por conta de uma lesão no cavalo. Teve de desistir.

Em um dos piores momentos da vida, conseguiu uma ajuda pra lá de inusitada. Matias é torcedor fanático do Estudiantes e, no ano seguinte, o clube contratou Juan Sebastián Verón. E não é que os dois se tornariam amigos?

Para Matias, a chegada de Verón teve dupla importância. Além de melhorar o desempenho do seu clube do coração, ainda o ajudou em momento de dificuldade. Para auxiliar, em mais uma dessas coincidências da vida, a filha adolescente do ex-craque argentino ainda é uma saltadora.

– A filha do Verón salta. Posso mandar mensagem no Whatsapp que ele responde na hora. Ele chegou ao Estudiantes em um momento que serviu para levantar minha auto-estima. Eu pensava que esses caras que ganharam muito já não queriam nada com nada. Mas ele jogou muito, parecia o mais novo do time, ficava louco quando perdia. Esse cara é um exemplo – valorizou.

chateado por del potro

No Brasil, Matias minimiza as provocações entre torcedores. Acredita ser mais “folclore” do que qualquer outra coisa. Só que, nos Jogos Olímpicos, assistiu a Juan Martín del Potro superar o sérvio Novak Djokovic, que tinha a torcida brasileira. Ficou magoado com aquilo.

– Acho um pouco de folclore. Podem ter essas brincadeira , mas depois estão juntos. Só achei um pouco antipático, toda aquela galera brasileira torcendo para o Djokovic. Prefiro pensar que foi pelo fato de ser o número 1 e não por ser contra o Del Potro – admite.

Com o cavalo alemão Cannavaro, Matias Albarracin fez uma preparação de dois meses com a equipe argentina na Holanda. Em alta, a equipe de saltos do país conseguiu a classificação para disputar os Jogos Olímpicos durante o Pan de Toronto, em 2015. O time encerrou a competição com uma prata considerada “histórica” no país. A dúvida é: conseguirá repetir a façanha no Brasil?

– A Argentina se preparou melhor do que nunca, fizemos coisas diferentes e melhoramos um pouco em relação ao Pan. Estamos bem – sorri.

Fonte: Globo Esporte

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