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29 de setembro de 2016

Amazonas brilham na prova dos 3 tambores e pedem reconhecimento

Engana-se quem pensa que rodeio é um lugar apenas para os peões e os animais da montaria. Liderada por mulheres fortes, a prova dos Três Tambores [competição em que as competidoras precisam circular os tonéis em menor tempo possível] é uma das atrações que fazem parte desta festa.

E as amazonas que competem não ficam atrás dos companheiros homens. Assim como eles, elas acampam ao lado de seus animais durante as competições, disputam a fivela com garra e fazem bonito nas arenas. E no rodeio de Jaguariúna várias brilharam.

Maria Isabel Zambon, a Bebel, é uma delas. A sintonia com o cavalo, parceiro na prova, surgiu quando ainda era muito pequena. Crescendo em uma fazenda em Itatiba (SP), ela sempre esteve em contato com os animais. “Com 3 anos eu já estava em cima do cavalo. Com 5 já fazia as primeiras competições”. A prima, que já competia quando a amazona era criança, foi uma inspiração. Veja galeria de fotos do rodeio.

Nem a gestação do pequeno Miguel, hoje com 9 meses, parou Bebel. “Até os quatro meses de gravidez eu ainda competia. Foi minha melhor fase com o cavalo. E a partir dos 2 meses de idade, ele já me acompanhava novamente nas competições”.

Assim como Bebel, Gizelle Lessa concilia sua própria empresa e família com as competições. Mas seu cavalo, Sanchay Melodys, é uma prioridade na sua vida. Mesmo casada e com um filho de 4 anos, ela decidiu dedicar mais tempo para o animal – até deixou o antigo emprego por causa disso. “Eu mesma gosto de tratar e cuidar do meu cavalo. Temos essa sintonia, eu e ele, nos conhecemos muito bem. Depois que comecei passar mais tempo com Sanchay, eu melhorei como competidora. Temos uma parceria”.

Amor pelos cavalos
E a preocupação com o bem estar dele é grande, especialmente se algo dá errado durante a competição. “O cavalo foi treinado para aquilo, e ele quer concluir o percurso, independente de tropeçar ou se machucar. Ele é muito fiel e quer continuar. E nós, competidoras, queremos poupá-lo. [Quando estamos competindo] não sabemos o que aconteceu, se ele se machucou. Então poupamos e seguramos ele, mesmo que isso nos faça perder a prova. Amamos muito eles”.

Gizelle usa uma espera cega, sem pontas, para ser usada somente para correção, sem machucar o animal. Isso é uma preocupação incluída nas regras da prova: se o cavalo estiver ferido, a amazona é desclassificada.

Vaidade
A competição dos Três Tambores é dura, mas não é porque é competida em uma arena de rodeio que as amazonas deixam de lado sua vaidade. “Estamos ali para fazer parte do show”, conta Gizelly. “Acho que estarmos bem produzidas também é uma forma de respeito com quem vem nos assistir. E quando a mulher está arrumada, ela se sente mais forte, poderosa. Nos sentindo bonitas, ficamos também mais seguras”.

Brehna Bazanella, que ganhou a etapa de Jaguariúna, endossa o discurso de Gizelly. “Mesmo fazendo um esporte tão bruto, não perdemos nossa feminilidade. A gente se arruma muito e queremos combinar tudo. Se o cavalo está com manta cor de rosa, queremos estar com uma camiseta rosa. Se estamos com brilho no olho, queremos passar no cavalo também. Somos uma dupla e queremos combinar sempre”, brinca.

E a vencedora do rodeio sabe da importância que é representar as mulheres nas competições no rodeio. “É bom para todo mundo ver que a gente também pode, que somos capazes. Três Tambores não é uma prova fácil”.

Falta de reconhecimento

Bebel luta por maior reconhecimento para a prova dos Três Tambores. É por isso que, ao lado do marido Miguel Zambon – também competidor, mas na prova de laço – criou empresa MZ Eventos. Eles foram os responsáveis por organizar a etapa em Jaguariúna.

“Eu acho que é preciso dar uma igualada na importância dos Três Tambores, hoje ela fica muito atrás das provas com os touros. Nossa competição é um show e o público sente falta quando não tem no rodeio. Mas falta patrocínio. Nós montamos nossa empresa para conseguir fazer provas mais bonitas e com premiações mais interessantes. Ficamos atrás de patrocinadores e parcerias. Temos que fazer valer a pena para a competidora sair da casa dela, carregar o cavalo e ir ao local da competição. Muitas vezes, o prêmio que ganhamos não paga toda a despesa”, desabafa Bebel

Fonte: G1 – Aline GuevaraDo G1 Campinas e Região

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