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25 de novembro de 2015

Agrodefesa e Faeg discutem fiscalização e sanidade dos equídeos

A Agrodefesa e a Comissão de Equideocultura da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) se reuniram para discutir questões que permeiam a sanidade dos equídeos do estado, sobretudo no que diz respeito à responsabilidade dos criadores dos animais. Um dos principais pontos discutidos foi a questão do mormo. Até o ano passado, Goiás tinha o título de livre da doença, mas de outubro de 2014 para cá, o título mudou para estado endêmico.

Segundo o presidente da Comissão de Equideocultura da Faeg, Hélio Fábio, que também é representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na Câmara Setorial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na ocasião, 20 animais foram declarados como contaminados no Hipódromo de Goiânia; oito casos foram confirmados em Silvânia e mais três em Hidrolândia.

Os dados são confirmados por Luana Batistella, coordenadora do programa de Sanidade de Equídeos da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa). Segundo ela, foram oito focos em todo o Estado. Destes, cinco estão em processo de saneamento, ou seja, com animais positivos aguardando confirmação, e três confirmados como positivos.

Mormo
“O problema são as aglomerações”, ressalta Christiane Rossi, assessora técnica da Faeg para a área de Equideocultura. Ela explica que o mormo, que é uma zoonose, ou seja, também pode ser transmitida para seres humanos, é extremamente contagiosa. Sendo assim, se há um animal infectado em um grupo com vários, é bem possível que muitos deles também adoeçam. E o problema se agrava sabendo que não há cura para a enfermidade.

Na reunião do último dia 9, discutiu-se que, em exposições e competições são exigidos diversos exames para a entrada dos animais, por isso, são ambientes controlados. Em eventos como cavalgadas, no entanto, o cuidado já não é o mesmo.

“Quando as galopadas começam, pessoas de todos os lugares aparecem durante o trajeto e muitos destes cavalos podem não estar saudáveis”, pontuou Christiane. A assessora ainda defende que atividades assim abrem espaço para a proliferação não apenas do mormo, mas também da Influenza e da Anemia Infecciosa Equina (AIE). Diante disso foi conversada a possibilidade de aumentar a fiscalização da Agrodefesa, em situações onde há grande aglomeração de animais e muitos deles podem estar infectados.

Contenção
A assessora técnica da Faeg conta ainda que, para constatar que o animal está doente, uma bateria de exames é feita em um espaçamento de datas. Mas na opinião de Christiane, o problema é que há urgência nos resultados e o material é enviado para o Pernambuco para que seja analisado lá, trajeto que demanda tempo e dinheiro. “Até que os exames sejam conclusivos, todos os animais ficam isolados”, afirma. Luana explica que apenas dois laboratórios no Brasil fazem esses testes, um em Recife (PE) e outro em Belém (PA), mas apenas o primeiro dá confirmação.

Assim que o mormo é constatado, o equídeo precisa ser sacrificado. Muitos donos de animais entram com ações judiciais evitando que isso aconteça, afinal, segundo Christiane, a relação com um cavalo é diferente do que com o gado, por exemplo. “Envolve sentimento”, conclui.

Comissão propôs criação de um Fundo de Indenização
Segundo Rossi, a criação desta poupança é primordial, pois a situação é emergencial e o abate, hoje, é a única solução. Entretanto, esbarra-se em alguns obstáculos. “O governo não pode arcar com isso, então não sabemos o valor da indenização, nem mesmo quem vai fornecem a quantia”, observa.

A Comissão de Equideocultura também quer apressar a verba destinada a equipar e modernizar o Laboratório de Análise e Diagnóstico Veterinário da Agrodefesa (Labvet). Assim, ele ficará apto a fazer os exames e os resultados chegarão aos proprietários mais rápido. Luana afirma que uma auditoria já foi feita no laboratório e que ele aguarda apenas uma ISO do Inmetro, além de uma confirmação do Ministério da Agricultura. O processo todo deverá ser finalizado apenas no ano que vem.

A base de tudo
Outro ponto discutido pela Comissão de Equideocultura foi o cadastramento dos animais. Até o ano passado, só se tinha registro dos equídeos cujos proprietários eram também donos de terra. Foi quando a Faeg entrou em contato com a Agrodefesa e a Secretaria da Fazenda (Sefaz) para defender o fichamento daqueles que tinham apenas o animal.

“Essa é a base de tudo. Para termos mais controle, não apenas das questões sanitárias, precisamos saber quem somos e onde estamos”, constata Christiane. Segundo a assessora técnica, é necessário que se faça uma campanha maciça de cadastramento, para que os proprietários de equídeos entendam a importância destas informações.

Além disso, ela também sublinha que é primordial que se faça o Cartão do Produtor, outro ponto amplamente discutido na reunião. De acordo com Rossi, isso facilitará tanto a vida do proprietário quanto da Agrodefesa e da Sefaz e serve para se ter um maior controle sobre o rebanho.

“O cartão vem com um login e senha, usados para que o próprio produtor possa gerar sua Guia de Trânsito Animal (GTA), de maneira que se possa rastrear o caminho que o equídeo fez e possamos ter uma melhor noção em casos de contaminação, por exemplo”, explica. Ela conclui reafirmando a importância deste controle: “mesmo que eu esteja levando o animal para meu vizinho de cerca, devo fazer uma GTA”.

Goiás Estado Equestre
Goiás, hoje, tem o maior rebanho de gado do Brasil e, com isso, conclui-se também que tem um dos maiores de equídeos do País. Afinal, segundo o presidente da Comissão de Equideocultura da Faeg, Hélio Fábio, “não há gado sem cavalo”. Por isso, a Comissão também quer propor um projeto e enviá-lo à Assembleia Legislativa de Goiás para que o Estado ganhe o título de Estado Equestre. “Isso nos daria o privilégio de trabalhar junto à Secretaria de Turismo e de Esportes”, conta.

O representante da CNA comentou também sobre as atividades ligadas a equídeos que já são amplamente divulgadas por todo o estado. “Temos muita Equoterapia, além de saltos, cavalgadas e corridas”, finaliza.

Com informações da Faeg

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