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Kênia Furtado diz que cavalos precisam de muita dedicação e treinos para não ficarem estressados Ribeirão Rodeo Music 2018 (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

21 de Abril de 2018

A paixão por cavalos de Kênia Furtado

A amazona Kênia Furtado, de 25 anos, faz malabarismos para conciliar os cuidados com o filho de 3, a faculdade de fisioterapia e os treinos diários para as competições da prova dos três tambores. Kênia é uma das mulheres escaladas para a disputa da modalidade no Ribeirão Rodeo Music 2018, e pretende ganhar.

A competidora já tentou calcular em quantos torneios competiu e de quantos saiu vitoriosa, mas, mas diz que perdeu as contas. Ela estima que, por ano, participe de quase 100 disputas.

“A minha rotina é bem corrida, porque treinar os cavalos todos os dias e cuidar do José Pedro é um desafio. Como moro num haras, coloco ele para montar comigo e, assim, consigo equilibrar as coisas. É uma loucura, mas é muito bom. Andar a cavalo é viciante, uma terapia para mim”, relata.

É como se no dia a dia, ela encarasse uma prova com muita adrenalina. Nos três tambores, competidora e cavalo precisam contornar os obstáculos na arena no menor tempo possível.

Durante a semana, a jovem precisa madrugar para conseguir preparar o filho para a escolinha e, depois, correr para a faculdade. Volta na hora do almoço, com tempo só de preparar a refeição e, finalmente, dedicar o resto do dia para treinar seus quatro cavalos – todos competidores.

De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), ela foi destaque na modalidade no ano passado, fazendo a prova final no Rodeio de Barretos (SP). Além disso, foi campeã no Campeonato de Barretos 2017, em Sertãozinho (SP) e em Guaxupé (MG).

Paixão por cavalos vem de família

Nascida em um sítio em Sertãozinho (SP), Kênia relata que nunca morou na cidade, apenas na roça, e se diz apaixonada por cavalos desde que consegue se lembrar. Aprendeu a cavalgar ainda criança, como todo o resto da família.

Aos 16 anos, passou a ser influenciada por um tio, também competidor, e se dedicou aos treinos nos dois anos seguintes. Participou de uma competição pela primeira vez aos 18, no rodeio de Barrinha (SP). Embora a experiência tenha sido repleta de nervosismos, apenas deu à moça mais vontade de se destacar.

Hoje, ela vive em um haras em Matão (SP) com o filho e o marido. Este, aliás, é juiz da ABQM e seu maior incentivador. Todos os finais de semana, os homens da casa acompanham Kênia em rodeios nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás.

“Na maioria das vezes, a gente sai de casa para as provas numa quinta-feira e só volta no domingo. Então, é muito corrido. Ele (marido) vai segurando as pontas, fica com o meu filho, cuida dos cavalos quando eu não estou. Me ajuda muito”, diz.

Desempenho do animal requer bons tratos

Segundo a amazona, os quatro cavalos que possui são praticamente membros da família, exigindo cuidados em período integral e treinos diários para garantir inclusive sua saúde psicológica. Quando estressado, ela diz que o animal pode ter um desempenho ruim dentro da arena.

E é no treino diário que Kênia busca evitar o estresse de seus animais. Se percebe que um deles está irritado, deixa a corrida para outro dia e pratica apenas o chamado passo a passo. Isso sem contar que o animal recebe atendimento de primeira: desde sessão de acupuntura a massagens e atividades dentro da piscina.

“Tem que ser dedicação quase 24h por dia, pois é daí que sai o cavalo campeão. Eu escovo, deixo as vacinas em dia, cuido da alimentação, do manejo, de tudo. O cavalo pode ter um treinamento muito bom, mas a alimentação dele e todo o resto têm que estar em ordem para atingir o desempenho máximo”, garante.

Outro fator que pode atrapalhar o desenvolvimento do cavalo durante as provas é o tempo de viagem, visto que ele é transportado em um trailer pequeno e abafado. Para Kênia, o transporte pode ser mais cansativo do que a prova em si. Em trajetos mais longos, a amazona busca sair um dia antes da prova e em horários de sol ameno.

“Para ele relaxar, passo pomadas nas pernas dele e o deixo descansar o resto do dia. Na manhã seguinte, fazemos um treino leve horas antes da competição. Preciso respeitar o tempo dele para ele entrar na arena com prazer. Tem cavalo que entra já querendo sair, outros não querem nem entrar”, ressalta.

A Prova dos Três Tambores

Nesta modalidade, três tambores são distribuídos na arena formando um triângulo, com distâncias de aproximadamente 30 metros um do outro. Ganha a amazona que conseguir percorrer o circuito em menor tempo, sem derrubar ou encostar nos objetos.

Cada tambor derrubado corresponde a uma penalização de cinco segundos acrescidos ao tempo final, sem contar que a competidora é desclassificada caso o cavalo apresente qualquer ferimento por conta do chicote ou da espora.

Esta é a única prova de rodeio que aceita a participação das mulheres dentro da arena. A primeira prova de Três Tambores ocorreu no Texas, em 1948, com a criação do Girls Rodeo Association. Kênia, que dedica toda a sua vida a isso, apoia a iniciativa.

“Homem acha que rodeio é só pra ele, então, tudo muda quando entra uma mulher na arena. Leva charme, muda o jeito de olhar e mostra que mulher também é bruta. Essa prova faz o homem perceber que a mulher também é capaz de fazer”, afirma.

Fonte: G1

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